Nikolas Ferreira compareceu à CPMI do 8 de janeiro para fazer indagações que ninguém quer responder. Durante seu tempo na comissão, o deputado questionou a lógica por trás das convocações, a seletividade nas investigações e, principalmente, o caso do coronel Naime, preso há cinco meses após cumprir ordem oficial. Com dados em mãos, Nikolas desmascarou a contradição entre o que a comissão diz investigar e quem realmente fica de fora da mira.
Uma CPMI que investe em um golpe que nunca aconteceu
Nikolas contestou o próprio fundamento da comissão ao questionar seus integrantes. Se um golpe realmente tivesse acontecido, argumenta, os sinais seriam óbvios e indiscutíveis. A comissão, formada em sua maioria por integrantes de oposição, trabalha, segundo o deputado, em narrativas frustradas.
“Essa CPMI agora se faz o trabalho de trazer aqui factóides de um golpe que nunca aconteceu. Ah, porque se o golpe tivesse acontecido, isso minha avó tivesse acidente, ela chupava. Mas se o golpe tivesse acontecido, vocês estão investigando um golpe inexistente. É isso de fato que a esquerda está se prestando a fazer aqui.” Nikolas Ferreira, durante depoimento na CPMI.
A afirmação reflete a crítica: investigar um evento que não ocorreu é, por definição, perder tempo de instituições que poderiam lidar com crimes reais. Nikolas questionou se a comissão não deveria focar em fatos concretos em vez de narrativas.
O caso do coronel Naime: cinco meses preso por cumprir missão
O coronel Naime tornou-se símbolo da desproporcionalidade. No dia 8 de janeiro, em seu turno de folga, foi requisitado para uma missão: impedir que prédios públicos fossem depredados. Cumpriu a ordem e recebeu como recompensa uma prisão que já ultrapassava cinco meses, segundo Nikolas, sem poder ver seus filhos.
“Nós temos o coronel Naime que já está preso há cinco meses sem ver os seus filhos porque no dia da sua folga ele foi requisitado, foi para frente na unha da mão impedir com que pessoas depredassem prédios públicos. E o que ele recebeu como prêmio uma prisão.” Nikolas Ferreira, durante depoimento na CPMI.
O contraste é claro: um militar que agiu em defesa da propriedade pública fica encarcerado, enquanto outros, segundo Nikolas, recebem tratamento diferente nas mesmas circunstâncias.
Seletividade nas convocações: quem entra e quem fica de fora
A CPMI convocou alguns depoentes, mas rejeitou convocações de outros. Nikolas apontou para o caso do senhor Capelli, que supostamente teria envolvimento direto nos eventos, mas cujos requerimentos de convocação não foram aprovados. Essa seletividade, para o deputado, revela o verdadeiro objetivo da comissão.
“Nós temos o senhor Capelli que aí sim estavam na TV todo dia 8 de janeiro. E olha que coincidência, todos os requerimentos de convocação dele não foram aprovados aqui nessa CPMI. O que isso quer dizer? Que trazem pessoas aqui para essa CPMI para poder esconder as verdades das pessoas.” Nikolas Ferreira, em pronunciamento na comissão.
A escolha de quem pode e quem não pode ser ouvido determina a narrativa final. Nikolas argumenta que essa filtragem não é casualidade, mas estratégia.
As imagens do Planalto que ninguém discute
Nikolas trouxe à tona um ponto raramente abordado: imagens do interior do Planalto que poderiam esclarecer os fatos. Se existem registros do que aconteceu dentro do prédio, eles deveriam ser o foco da investigação. Mas, segundo o deputado, o STF e a CPMI não estão interessados nessa análise.
“Eu confesso para os senhores que, se alguém me parasse desses corredores há dois meses atrás dizendo que tem um vídeo mostrando o general do Lula dentro do Planalto dando água para os invasores, eu não acreditaria. Então eu confesso que estou bem animado, estou bem curioso para poder saber o que que aconteceu nas imagens por exemplo, tentou o STF dos outros prédios públicos. E por que que isso aqui não está sendo discutido agora?” Nikolas Ferreira, durante depoimento.
O silêncio sobre essas imagens, segundo Nikolas, é mais revelador que qualquer acusação. Se a intenção fosse realmente investigar o que aconteceu, todas as evidências visuais estariam sob escrutínio.
Paladinos da democracia? A contradição do tribunal
Nikolas finalizou seu depoimento questionando quem realmente merecia o título de “defensor da democracia”. Listou nomes da comissão que, segundo ele, têm histórico questionável. A ironia é que justamente quem alega estar defendendo a democracia tem históricos que, por essa mesma lógica, deveriam ser investigados.
“Eles querem fazer disso aqui uma tentativa de se colocar como paladinos da democracia. Vejam só, o Capelli que lá atrás trouxe sabe quem aqui pro Brasil? Fidel Castro. Fidel Castro que fundou o foro de São Paulo com quem? Com Lula. Fidel Castro que confessou na Folha de São Paulo ter perseguido e matado homossexuais lá em Cuba.” Nikolas Ferreira, durante pronunciamento na CPMI.
O deputado argumenta que a real tarefa é expor inconsistências, não criar heróis midiáticos de narrativas vazias.
Principais pontos destacados
- A CPMI investe em investigação de um golpe que, segundo Nikolas, nunca ocorreu;
- O coronel Naime permanecia preso por cumprir ordem oficial de proteção a patrimônio público;
- A comissão rejeitou convocações de personagens-chave, como o senhor Capelli;
- Imagens internas do Planalto não são analisadas na investigação;
- Questiona-se quem realmente merece o título de “defensor da democracia” diante de históricos pessoais;
- Nikolas apresenta o depoimento como exposição de seletividade e narrativas vazias;
- A investigação reflete divisão política, não busca factual por verdade.
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FAQ: Perguntas Frequentes
A CPMI realmente investigava um golpe ou apenas uma tentativa?
De acordo com Nikolas, a comissão investigava um evento que nunca ocorreu. Um golpe de Estado bem-sucedido deixaria sinais incontestáveis de mudança institucional. A investigação de um “golpe que nunca aconteceu” reflete, para o deputado, uma narrativa política criada para fins eleitorais e de pressão contra adversários.
Qual era a missão do coronel Naime no 8 de janeiro?
Conforme o depoimento de Nikolas, o coronel Naime estava em seu dia de folga quando foi requisitado para cumprir uma missão oficial: impedir que pessoas depredassem prédios públicos. Cumpriu a ordem e, em seguida, foi preso. Nikolas questiona por que alguém que defendeu patrimônio público recebeu prisão como recompensa.
Por que o senhor Capelli não foi convocado à CPMI?
Segundo Nikolas, o senhor Capelli tinha envolvimento direto nos eventos do 8 de janeiro e estava presente no local. Todos os requerimentos para sua convocação foram rejeitados pela comissão. Nikolas interpreta essa rejeição como indicativo de que a CPMI estava selecionando quem comparecia, não investigando objetivamente.
Quais imagens do Planalto Nikolas mencionou que não estavam sendo discutidas?
Nikolas referiu-se a imagens internas do Planalto que, segundo ele, poderiam esclarecer o que realmente aconteceu durante os eventos. Essas imagens, segundo seu depoimento, não eram objeto de investigação ou debate público na CPMI ou no STF, apesar de seu potencial para confirmar ou desmentir versões dos fatos.
Como Nikolas define a seletividade na CPMI?
Nikolas argumenta que a comissão selecionava quem era convocado e investigado com base em narrativa política, não em evidência. Alguns nomes eram investigados enquanto outros, com envolvimento direto nos eventos, não eram nem convocados. Essa escolha, segundo o deputado, determinava qual história seria contada publicamente.
Qual é o ponto de Nikolas sobre “defensores da democracia”?
Nikolas questiona quem realmente merece esse título. Cita históricos pessoais de integrantes da comissão, como ligações com Fidel Castro, para argumentar que a democracia não se defende através de seletividade política, mas de investigação factual imparcial de todos os envolvidos, independente de filiação política.
O que Nikolas pretendia demonstrar com seu depoimento?
Nikolas pretendia expor contradições internas da CPMI: investigava um golpe que dizia não ter acontecido, mantinha presos quem cumpriu ordens oficiais, rejeitava convocações estratégicas e ignorava evidências visuais. Seu depoimento buscava demonstrar que a comissão era instrumento de narrativa política, não investigação objetiva.
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